Para apoiantes
O que acontece ao teu dinheiro quando apoias uma campanha?
Fica em garantia, numa conta que um programa controla. O criador levanta-o quando a meta é atingida; se falhar, recuperas o que a garantia guarda para ti.
Resposta curta
Em garantia: numa conta que um programa controla, que não é do criador nem nossa. Se a campanha atingir a meta, o criador pode levantar os fundos, menos a comissão da plataforma de 1,5% e a comissão fixa de 0,99 $, descontadas quando apoiaste. Se falhar, recuperas o que a garantia guarda para ti. O que nenhuma garantia cobre, aqui ou noutro lado, é um projeto financiado que depois não entrega.
Factos essenciais
- O apoio mínimo que o contrato aceita é de 10 $.
- No plano gratuito, cada apoio paga duas comissões quando é feito: 1,5% do apoio e uma comissão fixa de 0,99 $.
- De um apoio de 100 $, 97,51 $ chegam à garantia e 2,49 $ vão para essas duas comissões.
- O criador pode levantar assim que o angariado chega à meta, mesmo antes do prazo.
- Um apoiante só pode pedir o apoio de volta depois do prazo, e só se a campanha falhou a meta.
- As regras estão num programa que pode ser atualizado, e hoje uma chave da CoFunders tem esse poder, como explica a página de segurança.
O que quer dizer o teu dinheiro ficar em garantia?
Garantia quer dizer que o dinheiro fica com um terceiro neutro até se cumprir uma condição combinada, em vez de ir logo para quem angaria. Resolve um problema: duas partes querem negociar e quem avança primeiro fica exposto. O apoiante que paga adiantado confia num criador que ainda não fez nada; o criador que faz primeiro confia em apoiantes que ainda não pagaram. Com a garantia, ninguém tem de avançar primeiro, porque nenhum dos lados fica com o dinheiro.
No crowdfunding, a condição é a meta. Os apoios acumulam-se na garantia, e o dinheiro só vai para o criador quando o angariado chega pelo menos à meta. Se falhar até ao prazo, a mesma conta abre-se aos apoiantes.
Na CoFunders, o terceiro é um programa numa rede pública. Quando apoias uma campanha, o dinheiro passa do teu saldo para uma conta de tokens cuja dona é a própria campanha: não é uma conta da empresa nem do criador. A campanha é um endereço derivado do seu próprio número, não uma chave que alguém tenha, e o programa assina pela conta com essa derivação. Por isso o cofre não tem chave privada no sentido habitual: só aceita as assinaturas que o programa constrói, nas condições que lá estão escritas.
Podes confirmar isto sem nos perguntar. A página de transparência publica o endereço do programa e as contas à volta, e qualquer explorador de blocos público mostra o cofre de uma campanha, o saldo e cada transferência, sem precisares de conta. O verificador de garantia lê por ti a conta e o cofre de uma campanha, em direto da rede. Na maioria das plataformas, a garantia é uma conta bancária da própria plataforma, regida pelos termos dela, e a única forma de confirmar o saldo é acreditar na página que estás a ler.
O teu apoio fica numa conta de garantia controlada pelo programa, não numa conta da CoFunders. Pelas regras do programa, só o criador pode levantar os fundos de uma campanha que atingiu a meta, e só tu podes recuperar o apoio de uma campanha que a falhou. O programa ainda pode ser atualizado e, hoje, uma chave da CoFunders tem esse poder (vê /pt/seguranca).
Se a garantia é novidade para ti, o nosso guia gratuito sobre crowdfunding com recompensa começa do zero, stablecoins incluídas.
Quem recebe o dinheiro, e quando?
Ninguém, ao início. O teu apoio fica na garantia descrita acima, não com o criador nem connosco. Só chega ao criador quando a campanha atinge a meta, e chega sem a comissão da plataforma de 1,5% e a comissão fixa de 0,99 $, descontadas quando apoiaste.
Três instruções mexem no dinheiro de uma campanha, e cada uma verifica uma coisa diferente:
| Passo | Quem assina | Quando o programa aceita | O que se move |
|---|---|---|---|
| Apoio | O apoiante | Enquanto a campanha está aberta, a não ser que o prazo tenha passado sem a meta | O apoio, menos as comissões, para a garantia da campanha |
| Levantamento | O criador | Quando o angariado chega pelo menos à meta, em qualquer data | Qualquer valor até ao saldo da garantia, para o criador |
| Reembolso | O apoiante | Quando o prazo passou com o angariado abaixo da meta | O que o contrato registou para esse apoiante |
O levantamento tem uma só condição: o angariado chegar pelo menos à meta. Não olha para o prazo, e isso tem uma consequência que quase todas as páginas sobre crowdfunding erram: uma campanha que passa a meta na primeira semana pode ser levantada nessa semana, enquanto continua aberta a angariar.
A comissão sai ainda antes: em cada apoio, não quando o criador levanta.
A comissão percentual de um apoio segue o plano da conta que o faz e é cobrada no momento do apoio, por isso não é devolvida se a campanha falhar a meta. Os planos pagos ainda não estão à venda, por isso a comissão publicada é a do plano gratuito.
Os apoios nunca ficam connosco. O dinheiro adicionado com cartão fica, durante uns minutos: Adicionas dinheiro com cartão na própria página do nosso parceiro de pagamentos, com Apple Pay, Google Pay ou cartão. O dinheiro entra primeiro numa carteira de depósito da tua conta e passa para a tua carteira em poucos minutos, menos a nossa comissão de 0,25% mais 0,99 $ fixos e a comissão da rede. O parceiro mostra a sua própria comissão na página dele. O dinheiro que envias diretamente nunca passa por nós. O que isso te dá é pouco, mas real: uma plataforma que guarda o dinheiro dos utilizadores leva-o consigo se falir, e é a isso que responde, mais abaixo, se a CoFunders fechar.
Depois de o criador levantar, o dinheiro é dele. O que faz, quando entrega e como gasta fica entre ele e quem o apoiou, e é por isso que ler bem uma campanha vale mais do que qualquer garantia que uma plataforma possa dar.
Quanto custa apoiar uma campanha?
Duas comissões em cada apoio, e mais nada da nossa parte. Nenhuma volta se a campanha falhar, porque ambas saem antes de a garantia registar a tua parte.
| Custo | Quanto, no plano gratuito | Quando sai |
|---|---|---|
| Comissão da plataforma | 1,5% do apoio | Quando apoias |
| Comissão fixa | 0,99 $ em cada apoio, seja qual for o valor | Quando apoias |
Assim, um apoio de 100 $ põe 97,51 $ na garantia. Como a parte fixa é igual em todos os apoios, pesa mais nos pequenos: num apoio mínimo, de 10 $, anda perto de um décimo. Adicionar dinheiro fica fora destas contas, porque acontece antes de haver qualquer apoio. Adicionas dinheiro com cartão na própria página do nosso parceiro de pagamentos, com Apple Pay, Google Pay ou cartão. O dinheiro entra primeiro numa carteira de depósito da tua conta e passa para a tua carteira em poucos minutos, menos a nossa comissão de 0,25% mais 0,99 $ fixos e a comissão da rede. O parceiro mostra a sua própria comissão na página dele.
A percentagem segue o plano do próprio apoiante, e a página de preços mostra a comissão de cada plano. A calculadora de comissões calcula o que chega a uma campanha para qualquer valor.
O que acontece se a campanha falhar a meta?
Se a meta não for atingida até ao prazo, recuperas o teu apoio da garantia com um toque, e ninguém tem de o aprovar. O que volta é o montante guardado para ti: o teu apoio menos as comissões cobradas quando apoiaste (a comissão da plataforma, a comissão fixa, a gorjeta e a recompensa de partilha que a campanha pague, se houver).
O que conta é onde esteve o dinheiro enquanto a campanha decorreu. Numa plataforma que passa os apoios ao criador à medida que entram, o reembolso é uma promessa: alguém tem de ainda ter o dinheiro e querer devolvê-lo. Numa que guarda os apoios em garantia, o reembolso é o dinheiro a ir para onde sempre iria se a meta falhasse.
Aqui, a regra é um ramo de uma instrução. O reembolso verifica duas coisas, que o prazo passou e que o angariado ficou abaixo da meta, e depois transfere o que o contrato registou para ti. De quem pede, só verifica a tua assinatura, por isso não há formulário, nem pedido à ajuda, nem decisão nossa.
Transfere o valor registado quando apoiaste, ou seja, o teu apoio depois das comissões de quanto custa apoiar, mais a gorjeta que tenhas dado e a parte que a campanha pague a quem te trouxe.
Assim que o angariado passa a meta, o reembolso deixa de funcionar nessa campanha e o criador pode levantar. Não há estorno nem devoluções, porque não te venderam nada: o crowdfunding com recompensa está mais perto de uma encomenda do que de uma compra, e um projeto pode falhar mesmo com toda a gente honesta e a trabalhar a sério.
Por isso o valor importa mais do que as probabilidades. A aplicação não te deixa retirar um apoio antes do prazo. Apoia só o que podes dispensar, e lê o que o criador promete antes de a meta ser atingida, não depois.
O que acontece se a campanha angariar mais do que a meta?
Continua, e o criador fica com o excedente. A meta é um mínimo, não um teto: a campanha corre até ao prazo, angarie o que angariar, por isso um projeto que chega à meta numa semana pode passar o resto do tempo a angariar mais, e tudo o que fica acima da linha é do criador, nas mesmas condições do que fica abaixo.
Há uma coisa que muda quando a meta é passada, e é uma troca real, não uma formalidade. Reembolso e levantamento leem o mesmo limiar dos dois lados: abaixo da meta, o reembolso abre-se aos apoiantes quando o prazo passa; na meta ou acima, o reembolso recusa e o levantamento aceita. Por isso apoiar uma campanha já financiada é outra decisão: a garantia onde pões o teu apoio já pode ser esvaziada pelo criador.
Como o levantamento não depende do prazo, o criador pode levar uma primeira parte na primeira semana e o resto depois. Para a meta conta o valor registado depois das comissões, não o apoio bruto, o que pesa quando uma campanha está mesmo à beira da linha, e é por isso que a meta deve ser o custo real do projeto e não o que o criador gostava de angariar.
O excedente é também onde nascem promessas que mais tarde se tornam problemas de entrega. Mais dinheiro traz mais ambição, e mais ambição adia a entrega, a razão mais comum para um projeto bem financiado desiludir. Se uma campanha passou muito a meta, tens todo o direito de perguntar para que serve o extra.
E se o criador nunca entregar a recompensa?
A garantia não cobre isto, nem a de nenhuma plataforma de crowdfunding. Assim que uma campanha passa a meta, o criador pode levantar os fundos e o reembolso fecha, por isso a proteção é contra uma campanha que não se financia, não contra uma que se financia e depois desilude. O mecanismo é só isto, e é estreito de propósito.
O risco que corres ao apoiar uma campanha financiada é o da entrega, e é real. O criador pode atrasar-se, entregar algo pior do que descreveu ou falhar de todo, quase sempre porque fazer coisas é difícil e não porque te quis enganar. É assim no Kickstarter, no Indiegogo e aqui, e uma plataforma que diga o contrário está a descrever uma política, não um mecanismo.
O que tens é uma obrigação dele para contigo. Na lei portuguesa, a modalidade de recompensa define-se por quem é financiado ficar obrigado a prestar o produto ou serviço financiado (as regras portuguesas, com as fontes), por isso um criador que recebe o dinheiro e não entrega nada falha uma obrigação, e o direito do consumo aplica-se à forma como a campanha se apresentou. O que nada disto te dá é um botão do nosso lado que desfaça a transferência.
O que baixa o risco é o que podes verificar antes de apoiar. Esta pessoa já fez alguma coisa? A meta é proporcional ao que promete? As atualizações falam de problemas ou só de progressos? Uma campanha que nunca falou de um contratempo ou teve uma sorte fora do comum ou não te está a contar tudo. Como identificar uma burla percorre as verificações por ordem.
Depois de tudo acontecer, podemos fazer pouco. Podemos remover uma campanha, recusar ao criador uma segunda e passar o que sabemos a quem tem essa função. O que não podemos é tirar dinheiro de uma conta que o programa controla, e é essa mesma regra que nos impede de o fazer a qualquer outra pessoa.
O que acontece ao teu dinheiro se a CoFunders fechar?
Os apoios não estão connosco, por isso não há nada do teu apoio no nosso balanço que se possa perder, congelar ou dividir por credores. Estão na garantia do programa, e as regras que os libertam continuam a funcionar quer esta empresa exista quer não. A exceção é o dinheiro de um cartão ainda a caminho, porque fica numa carteira de depósito cuja chave temos até passar para a tua, normalmente em poucos minutos.
Numa plataforma tradicional, esta pergunta tem uma resposta incómoda. O dinheiro em trânsito está na conta de pagamentos da empresa e, se ela falir, entra na insolvência: fila, administradores e meses de espera. Quase nunca se diz, porque quase nunca acontece, e é exatamente o caso em que dizê-lo teria importado.
Aqui, as duas instruções que podem mover o dinheiro de uma campanha são o reembolso, que qualquer apoiante pode chamar quando o prazo passa sem a meta, e o levantamento, que o criador pode chamar quando a meta é atingida. Nenhuma verifica se os nossos servidores estão ligados, se a empresa ainda existe ou se alguém lá dentro concorda.
A primeira ressalva é de comodidade, não de custódia. Se este site desaparecesse amanhã, o dinheiro continuava sob as mesmas regras, mas o botão que monta a transação deixava de existir, e recuperar um apoio obrigava a falar diretamente com o programa, o que é trabalho técnico. O dinheiro seria teu e estaria ao teu alcance; só não estaria a dois toques.
A segunda ressalva é a autoridade de atualização referida acima, na secção sobre a garantia, que a página de segurança explica. Não dizemos que somos de confiança para guardar o teu dinheiro; dizemos que não o guardamos, que o podes confirmar por ti, e que o único poder que temos está dito em público.
Apoiar uma campanha é um investimento, ou um donativo?
Nenhum dos dois. Apoiar um projeto não te dá quota, participação nem direito a lucros, por isso não é investimento. Também não é donativo, porque o criador fica obrigado a entregar o que foi financiado. A lei portuguesa separa donativo, recompensa, capital e empréstimo em quatro modalidades precisamente por isso.
O lado do investimento confunde porque as palavras são as mesmas: apoiar, rondas, retornos. No crowdfunding com recompensa, nada disso te dá propriedade. Se um projeto que apoiaste passar a valer uma fortuna, não és dono de nada nem te devem nada. Recebes a recompensa descrita, se for entregue.
O lado do donativo é o reverso. Quando dás a uma instituição, o negócio acaba quando o dinheiro sai; ninguém te deve nada e a instituição não tem de te entregar coisa nenhuma. Um apoio com recompensa não é isso. O criador comprometeu-se a produzir o produto ou serviço financiado, e é receber o teu dinheiro que torna esse compromisso vinculativo. Estás muito mais perto de ser cliente de algo que ainda não existe do que doador.
O crowdfunding de capital e o de empréstimo são atividades reguladas à parte, com regras, supervisores e proteções próprios: na UE, um serviço de financiamento colaborativo é juntar investidores e promotores de projetos através de empréstimos ou valores mobiliários (o regulamento europeu do financiamento colaborativo), e um apoio em troca de uma recompensa não é isso. O donativo é ainda outra coisa. Chamar investimento a um apoio com recompensa não é descuido, é uma afirmação falsa sobre um acordo financeiro; chamar-lhe donativo diminui o que o criador deve.
Na CoFunders, a fronteira é imposta pelo programa, não por um aviso legal. As instruções que movem dinheiro são a entrada do apoio, o levantamento do criador quando a meta é atingida, o reembolso do apoiante quando o prazo passa sem ela, e uma saída antecipada que cobra uma comissão da plataforma e uma comissão ao criador. Não há instrução que pague um retorno financeiro a um apoiante, porque ninguém a escreveu. A aplicação não te deixa retirar um apoio antes do prazo.
Esta é uma de três respostas para quem apoia e para quem cria. Estão todas juntas, com cada pergunta que respondem, e a resposta sobre segurança e regras é a leitura seguinte.